Vencendo a Acídia

A Arte do Pequeno Passo

Ó, tu, cuja vontade vacila ante o umbral da sabedoria, tu que, paralisado, contemplas o livro fechado como um monte intransponível, escuta. Dizes a ti mesmo, em um murmúrio que se perde na inércia da alma: "Se eu começasse, decerto prosseguiria; mas o começo, este primeiro passo, me parece uma fadiga que esgota toda a virtude". E assim permaneces, cativo de um mal sutil que os antigos padres chamaram de acídia, essa tristeza que te invade ante o bem espiritual, esse tédio da alma que a paralisa ante o esforço que a enobrece. Antevisão do labor, dizes tu? Não, antes, uma falsa imaginação da tua própria potência, uma desconfiança na capacidade que Deus te infundiu de se elevar, ato por ato, até às mais altas cimeiras do conhecimento.

A solução que buscas não é um grande ímpeto da vontade que te transporte, de um só salto, ao cume da montanha, pois tal violência não se coaduna com a natureza, que em tudo procede por graus. O remédio para tua paralisia se encontra, paradoxalmente, na pequenez do princípio, na humildade do primeiro e mínimo movimento. Como ensina o Doutor Angélico, o hábito se gera pela repetição dos atos (habitus generantur ex actibus). Nenhum atleta se faz em um dia, nenhuma virtude se firma em um só esforço. Assim também, o hábito da leitura, essa disposição permanente da alma que a inclina a buscar a verdade nas letras, não se adquire contemplando a vastidão do oceano do saber, mas ousando molhar os pés em suas águas.

Não te proponhas, pois, a tarefa de ler o livro todo, nem sequer um capítulo, nem mesmo uma página inteira, se isso te parece um peso insuportável. A tua vontade, enfraquecida pela acídia, recua ante a magnitude do objeto proposto pela razão. Engana, pois, a tua própria fraqueza. Propõe-lhe um objeto tão pequeno, um labor tão ínfimo, que ela não encontre pretexto para a recusa. Toma o livro em tuas mãos. Lê um só parágrafo. Uma só. Ou, se ainda isso te parece demasiado, lê uma frase apenas.


Utrum praeter philosophicas disciplinas alia doctrina sit necessaria homini. "Se, para além das disciplinas filosóficas, outra doutrina é necessária ao homem."

Medita sobre esta questão. Vê como a inteligência, por sua própria natureza, anseia por uma verdade que a transcenda, um conhecimento que não se esgote nas criaturas.

Neste ato singularíssimo e modesto, nesta semente de mostarda da tua resolução, já se encontra, em potência, toda a floresta do saber. Pois este primeiro movimento, uma vez posto, dispõe a alma para o segundo. O primeiro parágrafo lido não apenas te entrega seu conteúdo, mas, principalmente, torna a tua potência intelectiva mais apta e pronta para o parágrafo seguinte. É como o fogo que, aceso em uma pequena gravilha, se propaga e consome a lenha robusta. O ato, por menor que seja, desperta a potência de sua letargia e a atualiza, dando-lhe o gosto e a disposição para novos atos.

Não desprezes, portanto, a eficácia do começo diminuto. Aquele que move uma pequena pedra já venceu a inércia do repouso e iniciou um movimento que, se continuado, pode deslocar montanhas. O teu mal não está na incapacidade de ler, mas na incapacidade de começar. E o começo não é um monstro a ser vencido, mas uma porta a ser transposta com um único passo. Aquele que diz "lerei esta frase" já realizou um ato de studiositas, essa virtude que ordena o apetite ao bem da cognição. Ele já moveu a si mesmo, e todo o segredo do hábito e da virtude reside em dar continuidade a este primeiro impulso. O que te detém não é o esforço do caminho, mas o fantasma do esforço que a tua imaginação projeta antes mesmo da partida. Desfaz, pois, este fantasma com a realidade de um ato ínfimo. Lê uma frase. E, ao fazê-lo, terás descoberto que a porta do saber não estava trancada, mas apenas encostada, aguardando o toque suave da tua vontade.