Visto que a arte lógica, não sendo fim em si mesma mas instrumento indispensável e diretivo da razão especulativa, ordena-se à ciência real como a direção da flecha se ordena ao alvo, porquanto, sem a retidão dos atos da razão que discriminam o verdadeiro do falso e o necessário do contingente, o intelecto humano, ferido pela ignorância e propenso à precipitação, cairia inevitavelmente nos abismos do erro ou na esterilidade do ceticismo ao tentar perscrutar as essências das coisas, cumpria verter este vestíbulo da filosofia, a Isagoge de Porfírio, não segundo a fluidez enganosa e literária dos modernos que, desprezando a distinção real entre o ente de razão e o ente real, confundem a metáfora com a definição e a opinião com a ciência, mas segundo a rigidez pétrea e a transparência cristalina dos termos escolásticos...
[...] E porquanto o próprio Porfírio, detendo-se no limiar das questões altíssimas sobre a subsistência dos universais, lançou todavia as sementes que germinariam nas grandes disputas medievais...
Sendo necessário, Crisaório1, tanto para a doutrina dos predicamentos2 que se encontra em Aristóteles conhecer o que seja o gênero e o que a diferença e o que a espécie e o que o próprio e o que o acidente3, quanto para a assignação das definições, e absolutamente para as coisas que são úteis na divisão ou na demonstração4, fazendo-te uma compendiosa tradição pela especulação destas coisas, tentarei abordar brevemente, à guisa de introdução, as coisas que foram ditas pelos antigos; abstendo-me decerto das questões mais altas, mas conjecturando mediocremente as mais simples.
Logo, quanto aos gêneros e às espécies — aquele [problema] decerto: se subsistem5 ou se estão postos apenas nos intelectos nus e puros...
Tentarei, porém, mostrar-te agora aquele [modo] como sobre estas coisas e sobre as propostas trataram de modo provável6 os antigos, e destes maximamente os Peripatéticos.
Parece, porém, que nem o gênero nem a espécie se dizem simplesmente7. Diz-se, com efeito, gênero a coleção de alguns que se hão de certo modo para com um só e entre si, segundo a qual significação se diz o gênero dos Romanos...
Diz-se, porém, e de outro modo ainda, gênero aquilo que é o princípio da geração de cada um, quer por aquele que gerou, quer pelo lugar em que alguém foi gerado. Pois assim dizemos que Orestes tem gênero de Tântalo...
De outro modo, porém, e novamente, diz-se gênero àquilo a que se supõe a espécie, dito talvez à semelhança destes: e de fato tal gênero é um certo princípio das espécies que estão sob ele; e parece também conter toda a multidão que está sob ele.
Sendo o gênero, portanto, dito triplicemente, é do terceiro que se trata entre os filósofos, o qual descrevendo assignaram ser o gênero aquilo que se predica de muitos e diferentes em espécie naquilo que [a coisa] é8, como animal...
Diferem, logo, os gêneros das coisas que se predicam de um só, nisto: que são assignados como predicando-se de muitos; das que, porém, se predicam de muitos: das espécies decerto, porque as espécies, ainda que se prediquem de muitos, não se predicam todavia dos que diferem em espécie, mas em número9...
Pelo que ”predicar-se de muitos” divide o gênero das coisas que se predicam de um só, as quais são os indivíduos; ”diferentes”, porém, ”em espécie” separa-o das coisas que se predicam como espécies ou como próprios; ”naquilo”, porém, ”que [a coisa] é predicar-se” divide-o das diferenças e dos acidentes comuns...
Diz-se, porém, espécie quer da forma11 de cada um, segundo a qual foi dito: ”Primeiramente, decerto, espécie digna de império”; quer se diz espécie também àquilo que está sob o gênero assignado, segundo a qual costumamos dizer que o homem é espécie de animal, sendo animal o gênero, e o branco espécie de cor, e o triângulo espécie de figura.
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O vocativo dirige-se ao discípulo de Porfírio, mas a necessidade enunciada transcende a circunstância histórica...↩︎
Os predicamentos, ou categorias, constituem os gêneros supremos da realidade finita...↩︎
Estes cinco predicáveis ou universais lógicos distinguem-se dos predicamentos...↩︎
A definição, cume do saber que manifesta a quididade da coisa...↩︎
A questão da subsistência dos universais constitui o ponto nevrálgico onde a lógica toca a metafísica...↩︎
O termo probabiliter (provavelmente), no contexto da lógica antiga e medieval, não denota incerteza...↩︎
A equivocidade do termo não é pura, mas análoga...↩︎
A definição clássica de gênero encerra em si a estrutura hilemórfica da predicação...↩︎
A distinção numérica, única possível entre os indivíduos submetidos à mesma espécie ínfima...↩︎
Nesta primeira acepção, o termo espécie (do latim specere, olhar) retém sua raiz etimológica...↩︎